Às vezes acho que já perdi uma parte de mim. Que me transformei ao ponto de já não ser eu. E nem sempre sei se isso é bom ou não.
"Vê lá se cresces" foi talvez uma das coisas mais cruéis que me já me disseram. Para ser sincera a culpa foi minha. Estava a fazer birra, ou melhor, estava ser demasiado emotiva. E sentir já não está na moda. Muito menos mostrar que se sente. O "quem não se sente não é filho de boa gente" tornou-se apenas uma frase feita. O que está a dar é ser frio e acima dos outros. Coisas como a amizade estão fora de moda, já não se usam e são fraquezas a evitar. E o engraçado é que isto é sinónimo de crescer. Vencer no trabalho e ser, se possível uma cabra, é muito mais importante do que estabelecer qualquer tido de empatia ou relação "normal".E eu, emotiva que dói, tenho mesmo que me adaptar. Para o conseguir fazer, tenho que perder uma parte de mim. Ou no mínimo deixá-la em casa.
Faz-me muito confusão esta forma de viver. É tão melhor ser diferente, única, com ideias próprias, com qualidade e defeitos, com emoções, com quereres e desejos próprios.
Não percebo porque se prefere seguir a carneirada. Pena é que, para sobreviver, às vezes seja necessário fazê-lo também.

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