Não há na melhor que uma grande amizade. Quer-me parecer, no entanto, que a vida vai fazendo a sua selecção natural e os amigos que vão ficando são poucos, mas grandes o suficiente para encher uma vida. No (meu) topo da escala estão duas meninas que, alturas diferentes da vida, escolhi para irmãs. Ou foram elas que me escolheram, nem sei, nem sequer é importante para o caso.
Só sei que já não estamos juntas todos os dias como antes. Uma foi viver para longe. Não é assim tão longe, mas já não dá para o jantar da praxe todas semanas, nem para o café várias vezes por semana, nem para as aulas de dança em conjunto, nem para as idas às compras, nem para passar a tarde à beira-mar, cada qual com o seu livro, nem para as caipirinhas de lichias, nem para o bismark, nem para os filmes até às tantas enroladas na manta-gato.
Sinto falta dessas noites no feminino em que riamos, chorávamos, falávamos de tudo, partilhávamos acontecimentos, amores, crises existenciais, alegrias e tristezas.
Esta semana estivemos juntas. Tem havido alguns encontros a “duas”, mas já não estávamos juntas desde o dia do meu casamento. Foi fantástico. Demasiado pouco tempo para todas as conversas que queríamos ter. Mas não faltou um “tinha tantas saudades tuas”.
E não me venham falar da amizade masculina. Não há nada como a amizade feminina.