segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dança

Vou voltar à dança.
Depois de um ano no ginásio [ou melhor: depois de um ano a fingir que estava no ginásio], vou regressar à dança. E como sempre vai ser "coisa" de meninas. Os maridos ficam em casa. Para eles (para o meu, pelo menos) uma noite de liberdade para jogar flight simulator à vontade ou simplesmente para sentir a minha falta.
Para mim, rambóia, muita salsa e muitos risos. Mal posso esperar.

domingo, 19 de setembro de 2010

Facebook

O facebook é a melhor forma que temos de nos convencer que temos amigos ou que não os temos. De facto a popularidade de alguém por este dias mede-se pela quantidade de comentários, de "gosto" que conseguimos. Ter centenas de "amigos" ou fãs é meio caminho andado para se ser alguém. Ou então não.
Tenho, como quase toda a gente, um perfil no facebook. Ainda ontem apaguei boa parte da informação que lá tinha sobre mim. Posso estar a ser paranóica, mas a verdade é que não me interessa que os meus amigos facebbokianos tenham acesso à maior parte da minha vida.
 Que alguns dos meus amigos têm facebook? sim, claro. Mas quando eu quiser partilhar com eles alguma novidade da minha vida, fá-lo-ei via telefone ou, se possível, presencialmente.
É que um abraço, um sorriso ou um beijo é muito melhor do que um "gosto"!!!! 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mesquinhez

Quão mesquinho pode ser o ser humano?
Fico sempre surpreendida  a mesquinhez de que somos capazes. Sim, porque eu tenho concerteza atitudes mesquinhas sem sequer perceber. Mas tal como eu percebo muitas vezes as atitudes beras dos outros, imagino que haja quem percebe as minhas.
Mas tive uma desilução imensa quando vi pessoas de quem gosto, que respeito, com quem trabalho, a olhar para o lado e a não se darem ao trabalho de ajudar uma pessoa.
Imaginem a cena: é divulgado que há uma pessoa próxima do nosso local de trabalho que está com cancro. Pedem dadores de medula e há recolha de sangue para tal aqui mesmo na empresa. Ninguém lá vai. Quando se soube da doença houve o "coitadinha" da praxe, mas depois, quando houve a hipótese de ter uma atitude de "gente", olha-se para o lado, assobia-se para o ar e diz-se, sem na realidade acreditar muito nisso, que num outro dia se inscrevem como dadores. Pois, é acreditar nisso e no Pai Natal.

E eu, que já devia ter idade para conhecer melhor as pessoas, ainda fico chocada.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amizade

Não há na melhor que uma grande amizade. Quer-me parecer, no entanto, que a vida vai fazendo a sua selecção natural e os amigos que vão ficando são poucos, mas grandes o suficiente para encher uma vida. No (meu) topo da escala estão duas meninas que, alturas diferentes da vida, escolhi para irmãs. Ou foram elas que me escolheram, nem sei, nem sequer é importante para o caso.
Só sei que já não estamos juntas todos os dias como antes. Uma foi viver para longe. Não é assim tão longe, mas já não dá para o jantar da praxe todas semanas, nem para o café várias vezes por semana, nem para as aulas de dança em conjunto, nem para as idas às compras, nem para passar a tarde à beira-mar, cada qual com o seu livro, nem para as caipirinhas de lichias, nem para o bismark, nem para os filmes até às tantas enroladas na manta-gato.
Sinto falta dessas noites no feminino em que riamos, chorávamos, falávamos de tudo, partilhávamos acontecimentos, amores, crises existenciais, alegrias e tristezas.
Esta semana estivemos juntas. Tem havido alguns encontros a “duas”, mas já não estávamos juntas desde o dia do meu casamento. Foi fantástico. Demasiado pouco tempo para todas as conversas que queríamos ter. Mas não faltou um “tinha tantas saudades tuas”.
E não me venham falar da amizade masculina. Não há nada como a amizade feminina.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

amizades profissionais

Todos os dias tenho que pensar naquilo que faço, que digo, na forma como reajo a um colega de trabalho. Já fomos amigos. Muito amigos. Durante anos. Depois, sem qualquer razão, ele afastou-se. Com aquele tipo de afastamente cruel de que só é capaz quem está fisicamente perto e opta por desprezar alguém.
Por mais que eu lhe perguntasse "porquê?" não houve resposta. Tive que aceitar. Tenho que aceitar essa atitude todos os dias. Por mais zangada e magoada que esteja não posso misturar isso com o meu trabalho. O que é  muito mais fácil de dizer do que de fazer, obviamente.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

acordar

Há poucas coisas melhores que acordar. Mas é um acordar com tempo, sem pressas para nos levantarmos.
É aquele acordar com o quarto ainda na penumbra mas já com alguma luz. Daquela luminosidade que indica que o sol já vai alto e que o dia lá fora é quente.
Gosto de acordar assim. Principalmente se estiver em casa no reino dos Algarves. É especial acordar lá. Geralmente indica férias ou fins de semana, sem pressão.
Gosto de me espreguiçar sobre os lençóis frescos, de sentir a brisa da manhã e de ficar ali quieta a ouvir os ruídos da casa: a minha mãe a andar de um lado para o outro a tentar não fazer barulho para não nos acordar, os miúdos a correr e a fazer barulho (e o shhhiuuuu da minha mãe), a cadela a ladrar, os passarinhos e o intenso silêncio da aldeia. Gosto de me enroscar no corpo ao meu lado, ainda adormecido, mas que ao sentir-me despertar me puxa para si.
Gosto das manhãs de Verão. Gosto de ir para o quintal e, tal como um girassol, olhar de olhos fechados para o sol e sentir o seu calor.
…. Por outro lado, odeio com todas as minhas forças o despertador!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Estranha forma de vida!


Às vezes acho que já perdi uma parte de mim. Que me transformei ao ponto de já não ser eu. E nem sempre sei se isso é bom ou não.
"Vê lá se cresces" foi talvez uma das coisas mais cruéis que me já me disseram. Para ser sincera a culpa foi minha. Estava a fazer birra, ou melhor, estava ser demasiado emotiva. E sentir já não está na moda. Muito menos mostrar que se sente. O "quem não se sente não é filho de boa gente" tornou-se apenas uma frase feita. O que está a dar é ser frio e acima dos outros. Coisas como a amizade estão fora de moda, já não se usam e são fraquezas a evitar. E o engraçado é que isto é sinónimo de crescer. Vencer no trabalho e ser, se possível uma cabra, é muito mais importante do que estabelecer qualquer tido de empatia ou relação "normal".E eu, emotiva que dói, tenho mesmo que me adaptar. Para o conseguir fazer, tenho que perder uma parte de mim. Ou no mínimo deixá-la em casa.
Faz-me muito confusão esta forma de viver. É tão melhor ser diferente, única, com ideias próprias, com qualidade e defeitos, com emoções, com quereres e desejos próprios.
Não percebo porque se prefere seguir a carneirada. Pena é que, para sobreviver, às vezes seja necessário fazê-lo também.