sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amizade

Não há na melhor que uma grande amizade. Quer-me parecer, no entanto, que a vida vai fazendo a sua selecção natural e os amigos que vão ficando são poucos, mas grandes o suficiente para encher uma vida. No (meu) topo da escala estão duas meninas que, alturas diferentes da vida, escolhi para irmãs. Ou foram elas que me escolheram, nem sei, nem sequer é importante para o caso.
Só sei que já não estamos juntas todos os dias como antes. Uma foi viver para longe. Não é assim tão longe, mas já não dá para o jantar da praxe todas semanas, nem para o café várias vezes por semana, nem para as aulas de dança em conjunto, nem para as idas às compras, nem para passar a tarde à beira-mar, cada qual com o seu livro, nem para as caipirinhas de lichias, nem para o bismark, nem para os filmes até às tantas enroladas na manta-gato.
Sinto falta dessas noites no feminino em que riamos, chorávamos, falávamos de tudo, partilhávamos acontecimentos, amores, crises existenciais, alegrias e tristezas.
Esta semana estivemos juntas. Tem havido alguns encontros a “duas”, mas já não estávamos juntas desde o dia do meu casamento. Foi fantástico. Demasiado pouco tempo para todas as conversas que queríamos ter. Mas não faltou um “tinha tantas saudades tuas”.
E não me venham falar da amizade masculina. Não há nada como a amizade feminina.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

amizades profissionais

Todos os dias tenho que pensar naquilo que faço, que digo, na forma como reajo a um colega de trabalho. Já fomos amigos. Muito amigos. Durante anos. Depois, sem qualquer razão, ele afastou-se. Com aquele tipo de afastamente cruel de que só é capaz quem está fisicamente perto e opta por desprezar alguém.
Por mais que eu lhe perguntasse "porquê?" não houve resposta. Tive que aceitar. Tenho que aceitar essa atitude todos os dias. Por mais zangada e magoada que esteja não posso misturar isso com o meu trabalho. O que é  muito mais fácil de dizer do que de fazer, obviamente.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

acordar

Há poucas coisas melhores que acordar. Mas é um acordar com tempo, sem pressas para nos levantarmos.
É aquele acordar com o quarto ainda na penumbra mas já com alguma luz. Daquela luminosidade que indica que o sol já vai alto e que o dia lá fora é quente.
Gosto de acordar assim. Principalmente se estiver em casa no reino dos Algarves. É especial acordar lá. Geralmente indica férias ou fins de semana, sem pressão.
Gosto de me espreguiçar sobre os lençóis frescos, de sentir a brisa da manhã e de ficar ali quieta a ouvir os ruídos da casa: a minha mãe a andar de um lado para o outro a tentar não fazer barulho para não nos acordar, os miúdos a correr e a fazer barulho (e o shhhiuuuu da minha mãe), a cadela a ladrar, os passarinhos e o intenso silêncio da aldeia. Gosto de me enroscar no corpo ao meu lado, ainda adormecido, mas que ao sentir-me despertar me puxa para si.
Gosto das manhãs de Verão. Gosto de ir para o quintal e, tal como um girassol, olhar de olhos fechados para o sol e sentir o seu calor.
…. Por outro lado, odeio com todas as minhas forças o despertador!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Estranha forma de vida!


Às vezes acho que já perdi uma parte de mim. Que me transformei ao ponto de já não ser eu. E nem sempre sei se isso é bom ou não.
"Vê lá se cresces" foi talvez uma das coisas mais cruéis que me já me disseram. Para ser sincera a culpa foi minha. Estava a fazer birra, ou melhor, estava ser demasiado emotiva. E sentir já não está na moda. Muito menos mostrar que se sente. O "quem não se sente não é filho de boa gente" tornou-se apenas uma frase feita. O que está a dar é ser frio e acima dos outros. Coisas como a amizade estão fora de moda, já não se usam e são fraquezas a evitar. E o engraçado é que isto é sinónimo de crescer. Vencer no trabalho e ser, se possível uma cabra, é muito mais importante do que estabelecer qualquer tido de empatia ou relação "normal".E eu, emotiva que dói, tenho mesmo que me adaptar. Para o conseguir fazer, tenho que perder uma parte de mim. Ou no mínimo deixá-la em casa.
Faz-me muito confusão esta forma de viver. É tão melhor ser diferente, única, com ideias próprias, com qualidade e defeitos, com emoções, com quereres e desejos próprios.
Não percebo porque se prefere seguir a carneirada. Pena é que, para sobreviver, às vezes seja necessário fazê-lo também.


terça-feira, 3 de agosto de 2010

A lógica da batata

As coisas só têm a importância que cada um de nós lhes dá. O mesmo acontece com as pessoas.
O que me lixa a existência é que eu geralmente dou demasiada importância às coisas e pessoas erradas.

E sim, tenho que concluir que a culpa é unica e exclusivamente minha. Que merda!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um segredo público

Às vezes apetece-me fazer uma pausa para escrever, mas é nesses momento que a minha mente parece ficar em branco. O que escrever e porquê escrever sobre determinados temas são perguntas que me surgem em vez dos assuntos que apenas aparecem em momentos flash e locais completamente inusitados. Geralmente tenho as melhores ideias enquanto conduzo. Conduzir tornou-se uma terapia, talvez devido à necessidade e ao hábito. Gosto de cantar enquanto conduzo. Mas isso é porque é dos poucos locais onde sei que não incomodo ninguém. Mas gosto principalmente de pensar enquanto conduzo. Deixar a mente vaguear enquanto se “faz” a A2, com a música bem alta e as paisagens deslumbrantes do Alentejo e do meu Algarve. Quantas vezes aí me surgiram ideias para mais um post, que invariavelmente, nunca saiu da minha mente? Ou porque simplesmente me esqueci dele (e fiquei com aquela sensação irritante do “eu tinha uma ideia mesmo, mesmo boa para um post, sei que tinha, mas não me lembro”) ou porque era demasiado pessoal, demasiado eu. O tipo de condicionamento de ter um blog que meia dúzia de amigos conhecia era mais do que suficiente para vetar a maior parte das minhas ideias. Por isso nasceu este “pausa para escrever”. Um segredo público. E afinal não há melhor forma de esconder alguma coisa que pô-la à frente dos olhos de todos .